Um e-mail que o assunto é "." é muito auto-explicativo.
E eu, eu poderia ter dito o que disse de uma forma mais branda, mais suave, menos direta. Eu conheço teu jeito, suas justificativas - e não desacredito. Mas eu estava brava. Queres sempre o controle da situação em suas mãos, então decidi sumir para que saibas que se queres ter o controle da situação, nem a situação terás.
Calei-me por alguns dias, coloquei-te na geladeira. Decidi que não brigaria, que não falaria uma palavra sequer, não responderia às suas justificativas. Ontem mudei de ideia. Havia tomado a decisão unilateral - sem te comunicar - de que bastava, que chega, saturou. E eu não precisava te dizer diretamente. Mas creio que precisava te dizer algo, o mais sincero possível. E disse, em uma linha e meia. Demonstrei meu descontentamento sem me justificar, sem me desculpar, sem explicar. Sabes que o maior sinal de que estou brava é não querer conversar. A pessoa pode me mandar um texto, um livro. Respondo com o mínimo de palavras que me for possível. E que fizeste o que bem entendesse com aquela uma linha e meia. Pensei que não responderias, respondeu e te respondi de volta, novamente monossilábica. Talvez eu tivesse muito para dizer, mas nada que eu achasse que valesse a pena ser dito. Falar do que foi pra você não vai nos livrar de passar pelo que passaremos.
Os momentos felizes, nossas conversas, os cafés, os compartilhamentos, o convite que o silêncio exibiu em cada olhar, os atos, os fatos, as atitudes, as palavras, os gestos e tantas coisas que transcenderam não só as palavras, mas também o léxico deixaram raízes e e sei que tendo a me apegar a isso e então repensar, acabar por ficar, pela nossa amizade. Mas não, não dessa vez. Claro que vai doer, E sentirei imensa saudade - de tudo. Saudade de lembrar de ti, querer contar ou te perguntar algo, mandar uma SMS e passarmos o resto do dia conversando. Mas decidi - e então está decidido. Escuto meu coração, sim. Mas faço o que acho que deve ser feito - e isso tem de me bastar.
Quando algo não funciona de uma forma, tenta-se de outra e quando não funciona também, talvez o melhor seja deixar de tentar. É um tempo que me dou. Permanece todo o sentimento, todas as horas boas, toda a amizade. Para mim, ir embora não significa não gostar, não sentir. Pode significar apenas que acho que devo ir embora e vou. Não tem nada a ver com não gostar. Sei partir e o sentimento permanecer ali, inalterado. Por isso não considero a partida definitiva. Não vivo na espera de voltar, mas não desconsidero voltar atrás.
Agora que aqui está registrado, fico mais leve. Deixa estar.
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