quarta-feira, 18 de julho de 2012
Dos puxões de orelha, da idade, experiências e aprendizado
Todo trabalho exige algo de quem o exerce, o meu (no sentido amplo da palavra trabalho) faz com que eu me supere a cada dia. Preciso estar sempre de bem com a vida, ou pelo menos parecer estar. Posso estar desmoronando por dentro, mas preciso estar sorrindo, disposta a ouvir as pessoas, me conectar, ser gentil, conversar, propor...Falsidade? Não, obviamente! Meu esforço é baseado na ideia de que ninguém tem a ver com os meus problemas e não tem de pagar por eles. Preciso também saber ouvir vários lados e filtrar as ideias, adequar, remanejar, sugerir e preciso também motivar, propor, conduzir, tocar em frente, independente de todo o resto.
Percebi isso mais uma vez hoje, quando numa reunião enquanto as pessoas discutiam e eu estava atirada na cadeira, mexendo no celular...não digo que eu estivesse longe só porque eu sabia que eu não estava em lugar nenhum, aí um dos camaradas me chamou a atenção para as novas tarefas que me estavam sendo dadas e para o papel que tenho que cumprir. Nunca fico brava quando tenho a atenção chamada pelos meus camaradas, pelo contrário. Considero que isso me seja fundamental para despertar de vez em quando. Voltei pra casa preocupada, temendo não dar conta. Tenho 21 anos, às vezes não me sinto suficientemente capaz.
Com 21 anos não serei? Por favor, Anna! Será que não sabes que aos 15/16 anos Joana D'Arc comandava o exército francês que libertaria o país do poder da Inglaterra? Será que me enquanto penso isso me esqueço que aos 16 anos Alexandre assumiu temporariamente o reino da Macedônia e que aos 20 se tornou rei? Que aos 24 anos Camila Vallejo liderou uma das maiores mobilizações estudantis da história da América Latina? Então como posso eu não me achar capaz perante tarefas tão menores? Ser jovem não é não ser forte, não ser capaz. Não somos nós jovens que temos maior disposição e capacidade de transformar a frustração em energia para continuar lutando?!
Apesar de saber que com a minha idade muita gente por aí é chefe de família e tem responsabilidades muito mais duras, considero-me relativamente capaz para os meus "21 anos de praia", como dizem meus pais. Moro sozinha, trabalho, cozinho, lavo as minhas roupas, cuido da minha vida.
Que boa sensação é a de se emancipar, a da autonomia! Desde aos 14, com o hardcore descobri o feminismo, no mesmo ano com as aulas de história descobri o que havia de errado com o sistema. A partir daí comecei a ler Marx, Engels, George Orwell, Simone de Beauvoir, Rousseau...Mas só aos 16 anos tive a primeira das experiências que mais me fez crescer e amadurecer na vida: comecei a namorar. Todo mundo precisa de algo pelo que lutar, sempre tem algo que nos impulsiona, muitas vezes é o amor. Nem sempre - e que bom que não só - o romântico, mas também. No meu caso foi o amor por outra pessoa, sim, mas em primeiro lugar por mim. Foi a minha primeira experiência de enfrentamento, de oposição, coragem e resistência. Tive de achar força e coragem pra enfrentar minha família, a escola e a distância. Resistência pra continuar a luta, pra não abrir mão mesmo estando tanto tempo sem ver quem eu gostava e até sem previsão de quando veria. Amor por mim porque lutava pelo que eu queria, porque eu começava a lutar pelo direito ao proceder, ao querer, ao me posicionar, decidir, escolher. Naquele momento a rebeldia me tapava os ouvidos, hoje sei ouvir as pessoas, considerar diferentes pontos de vista e muitas vezes ceder no que é necessário, mas trago comigo a certeza que sou eu quem devo fazer minhas escolhas.
Saí de casa e essa foi outra grande decisão que mudou minha vida. Nenhuma outra experiência poderia ter me proporcionado tanta vivência, que eu colocasse tanto a mão na massa e o pé no barro. Que me fizesse conhecer tanto o mundo, a realidade da nossa gente, que eu, filha única de advogada de classe média, estudante de escola particular, nunca tinha presenciado. Muita gente não acreditou que eu conseguiria, lembro-me que no começo minha mãe era totalmente contra minha mudança e eu ainda não tinha recebido meu primeiro salário, então passava dias a pão de cachorro-quente e katchup. Mas resisti e me saí bem.
Pensar em tudo isso me dá coragem para seguir em frente, pensar que na minha idade ou com até menos muita gente já fez muito mais! E então seguir em frente com toda a coragem, por saber que o medo nunca foi e nunca será o nosso melhor aliado.
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