"Meu desejo de amar e ser amado só pode se realizar se for confirmado por uma genuína disposição a entrar no jogo para o que der e vier, a comprometer a minha própria liberdade, caso necessário, para que a liberdade da pessoa amada não seja violada. No Simpósio de Platão, Diotima de Mantinea (ou seja, "a profetisa Temeadeus da Cidade dos Profetas") enfatiza para Sócrates, com a plena concordância deste, que "o amor não é para o belo, como você pensa'': "É para gerar e nascer no belo." Amar é ter o desejo de [p.70] "gerar e procriar", e assim aquele que ama "busca e tenta encontrar a coisa bela em que possa gerar". Em outras palavras, não é no anseio por coisas já prontas, completas e finalizadas que o amor encontra o seu significado, mas no impulso a participar da transformação dessas coisas, e contribuir para elas. O amor é semelhante à transcendência. É apenas outro nome para o impulso criativo, e como tal é repleto de riscos, como o são todos os processos criativos, que nunca têm certeza do lugar em que vão terminar."
Zigmunt Bauman, Identidade
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