terça-feira, 2 de abril de 2013
Domésticas ou serviçais?
A sociedade brasileira ainda mantém a visão casa grande/senzala que existe desde os tempos da escravidão. As relações com trabalhadores domésticos tem estreita relação com nosso passado escravocrata. Muitos ainda encaram os trabalhadores domésticos como pessoas que devem ser gratas por estarem empregadas, quando não os tratam como propriedade bens da família, sem permiti-los ter qualquer tipo de vida particular.
O trabalho doméstico como atividade remunerada é extremamente desvalorizado, concentra vários tipos de exclusão, como baixa remuneração, jornada de trabalho longa e ilegalidade na contratação.
A desigualdade social brasileira tem bases nessas relações e muitos acham que é um absurdo que empregadas domésticas, babás, porteiros, jardineiros ou serventes queiram salários mais altos e os mesmos direitos trabalhistas que profissões mais "especializadas".
Por que a empregada dormir no emprego? Ela não tem casa, não tem família? Nós dormimos no emprego? Como fazem as pessoas que trabalham 12 horas por dia, como muitas domésticas, mas não tem dinheiro para contratar uma empregada? Como as domésticas cuidam das suas próprias casas? Quem cuida dos seus filhos, quem os leva passear e os educa?
Qual o impacto que a falta de direitos trabalhistas teve na vida de milhares de pessoas durante anos? Deve haver até mesmo um impacto na economia dessa parcela da população, mas não interessa pesquisar isso, não é mesmo?
Toda essa polêmica vinda com a conquista dos direitos trabalhistas para as domésticas nos mostra como ainda estamos presos a uma visão de que o trabalho doméstico é um trabalho “menor”, inferior, seja ele exercido pela mãe ou por uma empregada.
As políticas públicas contribuem de fato para romper com a ideia e o ciclo que transfere a sobrecarga do trabalho doméstico e de cuidados sempre para o elo mais fraco. A equidade de direitos entre trabalho doméstico e outras formas de trabalho é um passo importante nessa direção.
Se não temos tempo suficiente para trabalhar e cuidar das tarefas domésticas, devemos lutar pela redução da jornada de trabalho. É um passo importante para nos dedicarmos – e deixar que se dediquem – a questões que afetam a todas e todos nós. Trabalhar menos no mercado para ter mais tempo para os “trabalhos” que não são assim considerados ou percebidos — militar, ir ao cinema, estudar, se dedicar à leitura, às artes, a estar com quem gostamos. E que os estudos e pesquisas não sejam para prever catástrofes, mas para prever soluções que nos propiciem melhor qualidade de vida.
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