sábado, 29 de dezembro de 2012

Confidência do Itabirano (adaptado)

Alguns anos vivi em Jundiaí.
Principalmente nasci em Jundiaí.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Jundiaí, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.

E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança jundiaiense.

De Jundiaí trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
[...]
este orgulho, esta cabeça baixa...

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Jundiaí é apenas uma fotografia na parede
Mas como dói!

Adaptado de "Confidência do itabirano", do grande Drummond.

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