Alguns anos vivi em Jundiaí.
Principalmente nasci em Jundiaí.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.
A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Jundiaí, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança jundiaiense.
De Jundiaí trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
[...]
este orgulho, esta cabeça baixa...
Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Jundiaí é apenas uma fotografia na parede
Mas como dói!
Adaptado de "Confidência do itabirano", do grande Drummond.
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