sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O esporte, a luta e a superação

Hoje cheguei no trabalho e, como de costume, peguei meu chá e passei os olhos pelas capas dos jornais do RS. A capa do Zero Hora me chamou a atenção. Pena que não achei pra postar aqui, é uma foto da Mayra beijando a medalha.

A menina guerreira de 20 anos perdeu a luta que permitiria que ela seguisse rumo ao ouro, engoliu o choro, manteve o foco e, mesmo com dores - físicas e emocionais - vindas luta anterior, foi buscar o bronze.

Mais uma vez o esporte nos mostrou que não é só atividade física, nos ensina a cair, levantar e seguir em frente. Como disse Aldo Rabelo, o esporte nos ensina manter a dignidade quando perdemos e a manter a humildade quando ganhamos. E buscar a cada dia a superação, nos ensina a ter foco e disciplina - e disciplina é liberdade.

A yoga me ensinou que quando estamos em uma posição desconfortável é preciso respirar e se comprometer a aguentar um pouquinho mais. Cada vez um pouquinho mais, até poder mudar de posição. Se a gente pensasse no tempo total que teríamos de permanecer daquele jeito, logo desistiríamos. Sem pensar no total, só em aguentar um pouco, de pouquinho em pouquinho a gente consegue ir até o fim.

Com o jiu jitsu aprendi como cair. Sim, a primeira coisa que a gente aprende nessa arte marcial não é como derrubar, enforcar ou dar uma chave de braço. A primeira coisa que a gente aprende é de que forma cair pra não se machucar. Quantas vezes a queda é inevitável?! Então que saibamos cair de forma que a gente não se machuque - ou pelo menos não tanto. Depois a gente aprende a se equilibrar, a ter jogo de cintura, de quadris e também a ter agilidade, pra poder se livrar da maioria de quedas possíveis. Quando a gente tá no chão, aprende a ver que às vezes assim temos mais possibilidades de golpe do que se estivéssemos em pé, contanto que saibamos aproveitar as vantagens disponíveis.

Com o boxe aprendi a ter resistência, a respirar da forma correta, manter a guarda e o mais importante - aprendi a ter disciplina e me superar. Meu professor é um guerreiro. Guri pobre, queria ser lutador de qualquer maneira. Veio do nordeste pra São Paulo lutando - e pra lutar. Se tornou campeão brasileiro Cada vez que a gente não conseguia cumprir tarefa, sem dó, sem pena, mesmo que eu estivesse sem ar o Praxedes me fazia pagar. Tinha que correr, fazer flexão, abdominais...e tinha que aprender como respirar pra fazr isso. Aprendi a ter a disciplina de lutar três vezes por semana e fazer atividade aeróbica seis, sob pena de, treinando menos que isso, ficar exausta e dolorida a semana toda.

Viver é lutar. Sentimos o sufoco desse jogo que às vezes é tão duro, parece que não temos fôlego, esquecemos de respirar ou de como respirar, caímos, nos machucamos, perdemos algumas batalhas. E aí? Aí a gente se levanta, respira, aprende a respirar, vai em busca da superação. Com ou sem do, cansados ou não. A gente nem pensa na dor, no cansaço, no sofrimento, no medo, na insegurança, nos contras, no adversário...Só se foca em fazer o melhor pela vitória e vai em busca dela. Quando perdemos a oportunidade de no momento seguir em busca do ouro, lutamos pelo bronze até poder lutar de novo pelo ouro. Sim, porque isso é não jogar a toalha, é não desistir. E não desistir é crescer. Resistir é se superar.

Sartre já dizia que não importa o que façam conosco, o que importa é o que NÓS fazemos com isso! Não podemos evitar algumas coisas, não temos o controle de todas as situações que afetam nossa vida, é verdade. Mas nós que escolhemos como vamos lidar com elas. Eu já disse isso aqui, o medo nunca é o melhor aliado. A coragem é a melhor aliada. Quando a gente quer algo, há a probabilidade de dar certo ou errado. Na maioria das vezes a gente só descobre se tentar, se for em frente esquecendo o medo, já que ele cega nossos sonhos e nos tira nossa força.

Só sonhar não dá em nada, é uma festa na prisão. O sonho só vale se caminhar sempre ao lado da luta. Afirmaria o sábio Che "Sonhas e serás livre de espírito... lutas e serás livre na vida.". O que será de nós se não formos livres de espírito e na vida?

Tudo isso me faz seguir em frente, e muito foi o esporte que ensinou. Fico feliz que nosso país esteja caminhando em direção à valorização do esporte - prova disso é a bolsa atleta. Esporte que nos faz aprender tanto, que nós traz saúde e que mantém tanto jovem longe da drogadição. Por isso defendo que o esporte tem de ser tratado como política pública. Faz a gente crescer, ser melhor conosco e com as pessoas.

E é pra isso que a gente tá aqui, não é?! Pra evoluir, pra ser melhor. Acredito que tudo faz mais sentido se a gente acredita que a vida pode ser melhor, se a gente coloca amor em tudo que faz...afinal, citando Che novamente "correndo o risco de parecer ridículo, deixem-me dizer-lhes que o verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de amor.".

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