sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Como gosto das pessoas

"Mas gosto, gosto das pessoas. Não sei me comunicar com elas, mas gosto de vê-las, de estar a seu lado, saber suas tristezas, suas esperas, suas vidas. Às vezes também me dá uma bruta raiva delas, de sua tristeza, sua mesquinhez. Depois penso que não tenho o direito de julgar ninguém, que cada um pode — e deve — ser o que é, ninguém tem nada com isso. Em seguida, minha outra parte sussurra em meus ouvidos que aí, justamente aí, está o grande mal das pessoas: o fato de serem como são e ninguém poder fazer nada. Só elas poderiam fazer alguma coisa por si próprias, mas não fazem porque não se vêem, não sabem como são. Ou, se sabem, fecham os olhos e continuam fingindo, a vida inteira fingindo que não sabem"

Concordo com este fragmento de Limite Branco, do Caio Fernando Abreu. Às vezes gostamos das pessoas mesmo sem saber como se comunicar com elas. Porque não é preciso saber se comunicar para gostar, ainda que isso atrapalhe as relações. Sim, as relações. Mas vale lembrar que gostar não significa necessariamente se relacionar.

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